Guilherme Almeida deu voz a "O Camião das Histórias" e levou os colegas numa viagem feita de imaginação
- 26 de jun.
- 3 min de leitura
Atualizado: 27 de jul.

Na Sala dos Aventureiros, um livro ilustrado bastou para despertar a criatividade de todo o grupo. Ao contar "O Camião das Histórias", Guilherme Almeida construiu uma narrativa a partir das imagens, numa atividade que estimula competências essenciais para o desenvolvimento da linguagem e da futura aprendizagem da leitura e da escrita.
Há um instante curioso antes de qualquer história começar.
As crianças aproximam-se, sentam-se bem juntas e aguardam que o livro seja aberto. Não esperam que alguém leia o texto. Esperam, isso sim, para descobrir a história que vai nascer naquele momento.
Foi isso que aconteceu quando Guilherme Almeida, aluno da Sala dos Aventureiros, abriu o livro O Camião das Histórias. Observou atentamente a primeira ilustração, sorriu por breves instantes e começou a contar. Não havia um texto para seguir nem frases para memorizar. Existiam apenas imagens, às quais foi dando significado através da imaginação e da linguagem.
Página após página, surgiram personagens, lugares, acontecimentos e diálogos improváveis. Por vezes fazia uma pausa para observar melhor um detalhe da ilustração; noutras, mudava o rumo da narrativa porque descobria um elemento que lhe despertava uma nova ideia. À sua volta, os colegas acompanhavam a história com atenção, reagiam com surpresa, antecipavam o que poderia acontecer a seguir e partilhavam, através do olhar e das expressões, a mesma viagem imaginária.
À primeira vista, parece apenas um momento de partilha entre crianças. Mas é precisamente nesta aparente simplicidade que reside o seu maior valor pedagógico.
"Enquanto transforma imagens em palavras, Guilherme organiza mentalmente os acontecimentos, estabelece relações de causa e efeito, interpreta emoções, formula hipóteses e constrói uma sequência narrativa coerente. Estes processos são reconhecidos pela investigação em Educação e Psicologia do Desenvolvimento como competências fundamentais da literacia emergente, preparando as crianças para a futura aprendizagem da leitura e da escrita muito antes de conseguirem descodificar as palavras", explica-nos a Diretora Pedagógica.
Ao mesmo tempo, a necessidade de comunicar a história leva a criança a selecionar vocabulário, estruturar frases, organizar o pensamento e adaptar o discurso a quem a escuta. A linguagem oral desenvolve-se de forma espontânea e significativa, porque nasce de uma necessidade genuína de comunicar e não da reprodução de um texto previamente aprendido.
Também quem ouve participa ativamente nesta aprendizagem. Ao observar as ilustrações, formular previsões, interpretar expressões e comparar mentalmente a narrativa com aquela que iria construir, cada criança desenvolve a compreensão narrativa, o pensamento simbólico, a criatividade e a capacidade de atribuir significado ao que observa. O livro deixa, assim, de ser apenas um objeto de leitura para se transformar num espaço de diálogo, imaginação e construção partilhada de conhecimento.
Embora, nesta sessão, a atividade tenha sido realizada entre crianças da mesma sala, esta é uma estratégia pedagógica que o Centro Imaculado Coração de Maria desenvolve igualmente entre alunos de diferentes idades. Quando são os mais velhos a assumir o papel de contadores de histórias junto dos mais novos, cria-se um contexto de aprendizagem entre pares amplamente valorizado pela investigação pedagógica. Os alunos mais velhos consolidam competências de comunicação, organização do pensamento, autorregulação, responsabilidade e liderança positiva. Já os mais novos beneficiam de um ambiente de proximidade que favorece a atenção, a curiosidade, o desenvolvimento da linguagem, da literacia emergente e o prazer pelos livros desde muito cedo.
Segundo Nádia Cartó, Diretora Pedagógica do Centro Imaculado Coração de Maria,
"na infância, contar uma história nunca é apenas contar uma história. É aprender a observar, a pensar, a comunicar e a descobrir que também se pode aprender com os pares. É por isso que valorizamos tanto este tipo de experiências no quotidiano educativo."


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